Canta, Rubinho, Canta.
Amigo Rubinho,
Neste alvorecer de 85, viajei no trem encantado da poesia e cheguei até você, estação da brasilidade, levando as homenagens deste humilde poeta ao nobre cantador:
De sertanejas terras mineiras, nas fronteiras com a Bahia catingueira, nasceu do ventre livre de rubinenses grotões, por entre águas de riachos em soturnos boqueirões. Cresceu cantando e de tanto assim cantar a bandeiras despregadas, forjou as tais cordas vocais afinadas nos moldes da liberta idéia encravada no alvo pano das inconfidentes bandeiras agitadas. E sonhando vai o bravo cantador, empunhando o pendão da esperança proclamada, como revel bandeirante nessas virgens matas da palavra amordaçada. Eis que fez-se luz nos céus do vale pelo fogo do facho da valente cantoria incandescente, divina folia encantada. É Rubinho a riscar no rumo do horizonte o traço da verdade, a traçar o rumo do Norte para a causa encampada. Eleva o brado heróico, retumbante, pela voz sentida, profunda, delirante, tirada da alma, do peito, posta na palma da mão, feito vela, no mais alto dos montes do sertão perdido, para acender a alma e a coragem do vale giganta, em rico berço, quase adormecido. Cantar, lutar, Rubinho cantou e lutou. Canta mais Rubinho, que outra voz mais altaneira, na defesa da nobre causa do Vale jamais se levantou. Canta, Rubinho, canta.
Fronteira do Vale, 1º de janeiro/85
Gonzaga Medeiros.