Tawaraná

Josino Medina

Caso de índio, eu vi menino virando lenda, ficando lindo
Pintando corpo com alma e festa eu vi,eu vi,eu vi
Vi curumim comer curimã, correr na manhã esconder do fim
Tocando uma pã para os passarinhos eu vi,eu vi,eu vi
Pois o passarinho e pra cantar oh menino, passarinho e pra voar
Pois passarinho e pra voar oh menino, passarinho e pra cantar
Vi armar uma arapuca com a isca do progresso
Quem comer desse feitiço desconhece o seu lugar
É isso que se tem pra dar oh, menino, o tal do civilizado
É isso que se tem pra dar oh, menino, o tal do civilizado
Na madrugada pega poronga, sai na picada riscando o tronco
Da seringueira mãe da floresta eu vi,eu vi,eu vi
Vi o empate na derrubada, a moto-serra ficou calada
Salvar a mata, salvar a pátria eu vi,eu vi,eu vi
A morte defendendo a vida oh, menino, a morte de quem quer a vida
A morte de quem quer a vida, oh menino, a morte defendendo a vida
Um soldado que virou seringueiro sem valor
Hoje a pátria que conhece é a mata que restou
A guerra não acabou por lá oh, menino, pra quem vive e defende a terra
A guerra não acabou por lá oh, menino, pra quem vive e defende a terra
Pois o passarinho e pra cantar oh menino, passarinho e pra voar
Pois passarinho e pra voar oh menino, passarinho e pra cantar
Pois o passarinho e pra cantar oh menino, passarinho e pra voar

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