O Jeitão das Coisas
Gildes Bezerra e Amaury Vieira
A cama está sempre deitada.
A mala chegando ou partindo,
A cadeira espera sentada
Mas o travesseiro dormindo.
O livro me conta uma história.
O sapato engole o meu pé.
Enquanto o relógio faz hora
O coador vai e bebe o café.
O terno vai ao casamento
Enquanto o calção vai jogar.
A janela, a todo momento,
Fica olhando a rua passar.
O varal, vestido de roupa,
Não sai e nem vai passear.
A panela abrindo sua boca,
Com fome, quer sempre almoçar.
O fogão está sempre com febre,
O “freezer” a se resfriar.
E ligeira como uma lebre
É a máquina de costurar.
Enquanto ele fala de tudo,
O tal telefone informal,
Coitado do criado-mudo
Não pode cantar no coral.
Coitado do criado-mudo ,
Não pode cantar no coral…
No coral.