Viagem de Cantador

Rubinho do Vale

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Vou levantando poeira no destino dessa estrada

Viajando a vida inteira vigiando a madrugada

Vejo a estrela derradeira sumindo na capoeira

Ao cantar da passarada

Sou o carinho do vento namorando a paisagem

Aboio triste no tempo anunciando a estiagem

Olhando firmamento amor é meu sentimento

No trecho dessa viagem

Cantador quando se encanta canta pela companheira

Menina ! vem cá minha santa  ! viola pontiadeira

Vi muita vida vazia cobrindo tantos caminhos

Meninos na tarde fria nas ruas fazendo ninhos

Eu vi o que não podia quem passava nem sentia

A fome dos passarinhos

Andei nas águas do dia estranho poço sem fundo

Vi gente sem alegria jogada dentro do mundo

Eu fiz o que não queria chorei numa cantoria

Foi um silêncio profundo

Cantador de esperança prepara seu próprio hino

Chorando feito criança cantando feito menino

Cansado de tanta espera de tanto tempo em tormento

Vivendo numa quimera do jeito que mais aguento

Tomara que nova era seja uma primavera

E acabe com o sofrimento

Descubro meu rumo errante pelos atalhos do bem

Trago a flor itinerante das nuvens lá do além

Sou um caveleiro andante vou para um lugar distante

Onde a terra é de ninguém

Cantador quando se encanta canta pela companheira

Menina ! vem cá minha santa !  viola pontiadeira

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