O Vale de Rubinho

Festivale Hoje
Medina 26 de julho de 2003, SÁBADO
O Vale de Rubinho
“Nós vamos longe sem perder os trilhos”

Com um trabalho profundamente enraizado na cultura popular do vale, Rubinho do Vale compõe e canta as tristezas e alegrias desta terra. O artista, da cidade de Rubim, possui hoje um repertório reconhecido em todo o país, com vários CDs gravados e shows por toda parte.

Fale um pouco das suas influências musicais, e , em especial, as do Vale do Jequitinhonha.

“Desde quando eu comecei a cantar, eu queria falar do Vale, da nossa região . Nasci e cresci na roça, então sempre tive uma ligação muito grande com interior e com o meio rural. Cresci perto das festas de reis, dos reizados e quis falar dessas coisas. Não sou pesquisador de nada, o que eu faço é uma releitura da minha vida.”

O que você quer passar para as pessoas com a sua música?

“O artista tem muitas funções , música pode despertar as pessoas para a organização política, social e cultural e também pode alegrar, divertir. No início da minha carreira, eu cantava de um jeito mais triste, sofrido e muitos me chamavam de cantador triste. Hoje o meu show é mais alegre, tem mais batuque e mais forró.”

Como você se sente em relação à cultura popular?

“No Vale, a gente valoriza e assume a nossa cultura, nós temos coragem de dizer o que somos. É a busca da nossa identidade que tem fortalecido o nosso trabalho. As pessoas têm medo do que é simples, do que é singelo. No Brasil falta amor pelo que é da gente e nós temos dado exemplo neste aspecto.”

Como é o trabalho que você desenvolve para as crianças?

“A mina história com as crianças é longa, parte da minha vida é dedicada a esse trabalho. Tudo começou de forma espontânea, pois o que eu faço é rever a minha infância e cantar para as crianças. Assim como a minha infância foi bela, a delas também pode ser.”

Como é a sua história com o Festivale?

“Concorri nos três primeiros Festivales, mas depois comecei a gravar discos e os organizadores não me quiseram mais como concorrente e começaram a me convidar para fazer shows. Eu gostava de concorrer no Festivale, ganhava experiência me apresentando. Acho que o Festivale é um dos melhores palcos para se cantar.”

E o Festivale hoje?

“Tenho um carinho muito grande pelas pessoas que organizam o Festivale e que seguram a onda do movimento cultural. Elas fazem reuniões durante o ano todo para conseguir realizar o Festival e manter esta chama acesa. Para um festival durar vinte e poucos anos, quase sem apoio, tem que ter muita vontade. Agora é que começaram a acontecer parcerias, que dão um tratamento mais profissional e de qualidade para o Festivale. Elas nos dão respaldo com as prefeituras e com a população.”

Como você se sente sabendo que seu show é um dos mais esperados?

“Com o tempo, meu trabalho cresceu, mas sou apenas um cantador. Não mudei nada na minha vida, só evoluí um pouco. Tenho um carinho muito grande com o povo e procuro honrar o Vale que coloquei no meu nome. Hoje tenho vontade de gravar com outros nomes e outros grupos para incentivá-los a registrar e divulgar seus trabalhos.”

Depois de já ter viajado tanto e conhecido várias culturas, como você se sente em relação ao Vale?

“Acho que o Vale está pronto para ser pesquisado, para receber projetos, para receber informações do mundo. Nós vamos longe, sem perder os trilhos. O Brasil conhece o Vale do Jequitinhonha, a cultura daqui já influencia a de outros lugares.”

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