Rubinho canta a voz dos excluídos

Carlos Felipe
Jornal Estado de Minas 30/04/1996

Tinha que ser Rubinho do Vale. Desde o início de sua carreira, quando largou a universidade para se dedicar à música, ele vem pautando sua carreira por alguns princípios básicos. E um deles é que o artista não pode ficar dissociado da realidade do seu mundo e do instante que está sendo vivido.

Em suas apresentações e discos, Rubinho se mantém fiel à realidade, à cultura e ao pensamento, quase sempre não dito, do seu povo. É só olhar, por exemplo, músicas como “Trem da História”, Viva o Povo Brasileiro” e Violas e Tambores” para se ter a certeza de que este objetivo está sempre presente no cantor-compositor. Mesmo que de forma inconsciente o que, aliás, torna o fato mais importante.

Agora, porém, Rubinho realiza um trabalho maior e, desta feita, de maneira consciente. Está lançando seu novo cd, sob o título “Justiça e Paz se abraçarão”. Não por coincidência , tema também da Campanha da Fraternidade de 1996, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Nele está um pouco deste trabalho-símbolo dos tempos que estão sendo vividos pelo povo brasileiro.

Apesar das necessidades populares continuarem sendo fortes. E os exemplos estão no Movimentos dos Sem Terra, na Campanha do Betinho, no drama dos meninos de rua, no número de excluídos sociais. Tema é o que não falta. Mas, por razões que cada artista é que sabe, isto foi deixado de lado. O resultado é que espaços foram ocupados por outros tipos de mensagem, alguns na base do besteiros, outros do non sense e , finalmente, até pelo alheamento total.

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